Dói saber que chegou a hora do adeus, saber que chegou a hora de organizar suas coisas numa mala pequena e enfiar nela todos os sentimentos e lembranças que insistem pedindo para que você fique um pouco mais. O amor nos faz apegar de tal modo, que nos esquecemos completamente que as despedidas são comuns. Achamos que o “tempo do adeus” nunca virá para nós, mas cedo ou tarde, ele sempre vem. 

E vem como quem não quer nada: bate de leve na porta, mas aos poucos vai ganhando força e se infiltrando nas memórias, corroendo cada pedacinho das lembranças. A vida não nos prepara para as despedidas. Aprendemos valores, regras, teorias, trigonometria e gramática, mas quando chega a hora de usarmos a pontuação na nossa vida, fingimos desconhecer as regras, e sempre colocamos uma vírgula no lugar do ponto final. 

“São só quatro anos”, você pensa, mas não há certeza alguma. Talvez ele goste de lá e queira ficar. Talvez ele te esqueça, ou te tenha na lembrança como um simples amor de verão. Talvez aquele encontro não tenha significado nada além de uma noite de diversão, como qualquer outra. O coração pede baixinho para que demore um pouco mais, mas ingênuo, mal sabe ele de que a dor se torna mais forte conforme adiamos o sofrimento.

Você levanta a cabeça como se estivesse bem e finge aceitar o fato de que em pouco tempo estarão tão distantes. Sorri como se tudo não passasse de uma brincadeira do destino, e tenta esconder de si mesma que lá no fundo continua despreparada para o tão temido adeus. 

–Até logo – você sussurra sem saber se ele te ouve. 
–Até logo – repete como se quisesse afirmar para si mesma que aquilo ainda não era o fim, mas você sabe que é sim.