19/08/2014

Declarações sobre um primeiro (des)encontro



“Foi diferente. Foi diferente a maneira como você chegou na minha vida, entrou sem pedir licença, se acomodou num cantinho do meu coração e nunca quis embora. Estranhamente nos esbarramos naquele café às seis da manhã – aliás, estranho mesmo foi eu acordar tão cedo por pura vontade (e às vezes eu até arrisco a pensar que foi o tal do destino) –, você derrubou algumas gotinhas de cappuccino na minha roupa e, enquanto pedia desculpas, tentava limpá-las com seu guardanapo. É tão difícil encontrarmos pessoas gentis num mundo moldado por egoísmo, sabe? E acho que foi exatamente por essa atitude inesperada, mas tão amável, que comecei a me apaixonar por você.”


“Quando cheguei naquele café às seis da manhã, depois de fazer e pegar meu pedido, me dirigi à mesma mesa de sempre. Tudo ocorreria da mesma forma se no meio do caminho ela não estivesse ali. A beleza era tanta que, por alguns segundos, me senti em transe: era como se sob meus pés não existisse mais um chão e eu estivesse pisando nas nuvens. Ainda desconectado do mundo, derrubei um pouco do meu chocolate em sua roupa. 'Que bela maneira de causar a primeira impressão, Eduardo' foi a frase que martelou em minha cabeça enquanto tentava limpar o estrago. 'Não foi nada' ela dizia sorrindo com o mais bonito dos sorrisos: 'Moça, se continuar sorrindo assim, não derrubarei só umas gotas, mas a xícara toda.'

É incrível como cada um tem uma perspectiva diferente sobre o mundo. Com uma das minhas músicas favoritas na cabeça, dei de escrever algo explorando do "ponto de vista". Espero que tenham gostado! 
12/08/2014

Resenha em vídeo - trilogia A Seleção

Depois de devorar os três livros da Kiera Cass, não pude deixar de comentar com vocês a maravilha que está contida nessas páginas. Foram dias incríveis megulhada nesse mundo disópico-utópico (uát? Só lendo pra saber!). Essa também é minha primeira resenha em vídeo e eu adoraria ter o retorno de vocês! Em quais pontos posso melhorar? Ou é preferível continuar só nas resenhas escritas mesmo? Escrevam tudo o que julgarem necessário! :)



08/08/2014

De volta aos quinze {resenha}

Bruna Vieira, 222 páginas, editora Gutenberg, 2013.

Anita, na festa de casamento de sua irmã, acaba brigando com sua prima, por ela ter se casado com um cara extremamente egoísta. Toda a atenção da família se volta para ela, que é taxada de invejosa, por ainda não ter um namorado. Anita, com muita raiva tenta se explicar, mas sem conseguir apoio, foge para o quarto onde estava hospedada e, buscando consolo na internet, cai na página de seu primeiro blog, escrito quando ela tinha 15 anos. Então, levada de volta aos seus 15 anos, ela pode escolher deixar tudo como está, ou fazer mudanças que irão refletir em seu futuro.

“Nós devemos colocar expectativas apenas em nós mesmos. E nos esforçarmos para ser o melhor que podemos. E, se não pudermos, não devemos nos frustrar, porque todo mundo erra. Todo mundo falha.”

Ganhei o livro de presente de Natal da minha mãe, e depois de todo o meu amor por “Depois dos quinze”, queria ler esse o mais rápido possível. Li muitas resenhas que diziam que Anita era muito imatura no questão do amor, para seus 30 anos e, de fato, concordo. Por isso imaginei durante todo o livro que ela tinha lá pelos seus 20 anos e a leitura aconteceu normalmente, sem neurose. :)

“De nada adianta colocar a culpa nas escolhas já feitas, elas nos levam a algum lugar sempre. Mas não vale a pena achar que esses lugares são certos ou errados, bons ou ruins. É a maneira como você lida com as consequências que define seu destino.”

No começo, queremos abraçar Anita e dizer que tudo vai ficar bem, e que ela não é doida de brigar com a prima porque entendemos seus motivos. Mas depois, conforme as viagens de Anita ao seu passado vão ficando mais frequentes e seu futuro parece se tornar pior do que estava, queria poder entrar no livro e falar pra ela não fazer mudanças nunca mais! A amizade que surge entre Anita e Joel foi uma das minhas partes preferidas do livro e gostei muito dessa aproximação entre eles. Henrique também se mostrou um cara extremamente apaixonante e, por Deus!, aquele final foi maravilhoso. Mal posso esperar pela continuação!

“Quando duas pessoas se relacionam por tanto tempo, uma acaba deixando muito de si na outra, principalmente quando elas estão apaixonadas. O amor é a única coisa que consegue atingir nossa alma plenamente. Ele nos faz querer mudar o tempo todo pelo outro.”

Enfim, não posso falar muito sobre a obra, porque não é um livro cheio de acontecimentos, então eu acabaria soltando spoilers. Mas posso garantir que “De volta aos quinze” tem aquela pegada de viajar no tempo pelo computador, como no livro “O Futuro de Nós Dois” (será que rolou uma inspiração nele?) e torcemos pra que tudo acabe bem no final. Indico pra todo mundo que gosta de livros adolescentes, com uma temática mais romântica, assim como eu. :D

“Quantas vezes eu preciso quebrar meu coração para ele se encaixar no seu?”
05/08/2014

Ainda não estou pronta pra crescer

Ao contrário da grande maioria de pessoas na mesma faixa etária que eu, meu sonho nunca foi passar num vestibular. Sempre me dediquei na escola, mas nunca gostei das avaliações. Como podem limitar seu conhecimento através de uma prova de humanas ou extas? Cheguei ao terceiro ano com aquela imensa vontade de não-querer-estar-no-terceiro-ano. Não que eu queira fugir de minhas responsabilidades ou da “vida adulta”, mas ainda não me sinto pronta. Ninguém, sequer uma vez, perguntou se eu realmente gostaria de estar aqui.

Certamente eu não abandonaria as amizades que contrui durante todos esses anos na escola, mas sabe quando você se sente deslocado? É exatamente assim como eu me sinto: nova demais pra vida que corre rápido demais. Enquanto todos se acabam em bebidas, trocam de namorado como quem troca de roupa, e se imaginam numa universidade no próximo ano; eu me isolo num mundinho rodeado de livros e filmes sobre a magia do primeiro amor, bebo escondido o Yakult da minha irmã e adoraria voltar pro oitavo ano, onde trabalhos valiam tanto quanto provas (se tem uma coisa que me mata de saudade são os trabalhos em grupo, daqueles que tínhamos de montar até cartolina. Completa injustiça eles não existirem no Ensino Médio!).

Ainda não me sinto pronta pra crescer, pra viver num mundo onde não exista macarrão aos domingos (preparado pela mehor mãe do mundo, aliás) ou pra passar no vestibular. E se Renato Russo estiver certo, todos nós “temos nosso próprio tempo” e, talvez um dia, o 'meu tempo' também chegue. Até lá, só me resta respirar fundo e fingir que tudo está dentro dos conformes.

Um dos textos mais intímos e sinceros que publico aqui no blog. Sempre busquei alivío para os meus problemas na escrita e, dessa vez, decidi compartilhar minha confusão com vocês. Tá difícil, gente. Tá bem difícil...
 

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