Feche seus olhos e permita-se sentir. Feche os olhos, respire lentamente e se imagine, mesmo que por um segundo, no lugar onde gostaria de estar. Permita-se se entregar à vida: doe-se. Tire um dia pra sorrir, para bater foto de cachorrinhos, para usar sua saia lilás esquecida no fundo do armário, para dançar sozinha em frente ao espelho. Espalhe a bondade mesmo que o mundo pareça perdido. 

Tire o dia pra sorrir: assista um filme engraçado, vá à sua doceria preferida, peça aquela tortinha de limão. Ignore comentários alheios e sinta-se bem com seu corpo, com você mesma. Sorria, mas não só por fora: por dentro. Sinta-se feliz por ser quem é. Ame-se. Ame-se do mesmo modo como sempre quis ser amada um dia. 

Corra atrás do ônibus, sente-se ao lado de um rapaz que lê seu livro favorito. Pergunte sobre seu final de semana, troque umas ideias bobas, uns sorrisos tímidos e lhe roube um beijo. Pergunte se ele já tomou milk-shake de creme e explique-lhe o quanto é bom. Despeça-se sem trocar telefones ou outro contato. Viva a experiência de um amor passageiro. 

Chegue em casa de tardezinha. Tire os coturnos pretos, sente-se na janela com um livro novo nas mãos. Ouça o barulho distante da cidade grande, respire lentamente e observe o pôr do sol ali no 7° andar. Sorria. Tire o dia pra sorrir até o pôr do sol – e depois dele também.



São aquelas coisas simples, que de tão sutis e sinceras, nos deixam com vontade de chorar de alegria. Dia desses parei pra pensar na delicadeza que fomos nós dois. Diferentemente daqueles amores conturbados, em meio ao caos, fomos singulares. Você me entendia e, em meio às lágrimas, me arrancava alguns sorrisos. Nós existimos e, pode acreditar, criamos o nosso mundo. Onde não existiam tristezas que não pudessem ser curadas com chocolate quente, ou problemas que não se desfizessem com um filme clichê no domingo à tarde. 

Abraços verdadeiros, beijos intensos e toques precisos... Mas de repente acabou. Nosso brilho foi diminuindo até se reduzir a uma estrelinha que, vista da Terra, mal parece existir; mesmo que lá no espaço seja uma das mais notórias. Estaremos sempre vivos, únicos, singulares no exato lugar que estivemos alguns anos atrás: nos nossos corações. Se fosse possível pedir algo nesse momento, eu pediria mais amores-calmaria, como foi o nosso. Amores sossegados, sem grandes oscilações emocionais.


Laurie Halse Anderson, 272 páginas, editora Novo Conceito, 2012.


Lia e Cassie são amigas desde pequenas. No ano novo, quando ainda tinham doze anos, fecharam uma disputa de qual ficaria mais magra em menos tempo. Cassie vira bulímica e Lia, anoréxica (essa, pesando 45kg e com mais de 1,60m, é internada diversas vezes). Já no Ensino Médio, as garotas acabam perdendo a amizade, mas a disputa continua com ainda mais força, e logo vira rivalidade.


Cassie é encontrada morta num quarto de motel, sozinha, mas Lia se mostra bastante fria ao não se importar com a notícia, uma vez que as duas não se falavam mais. Entretanto tudo muda quando ela descobre que antes de morrer, Cassie ligou para o seu celular por 33 vezes e Lia não atendeu a  nenhuma delas. Lia, então traumatizada, começa a sofrer de outros distúrbios psicológicos - além dos alimentares.

“Tenha cuidado com aquilo que deseja. Sempre existe um preço.”

De uma escrita totalmente confusa, a busca pela perfeição e a obsessão pela magreza são narradas de  modo agoniante. Vivendo no seu próprio mundo estranho, Lia desconfia de tudo e de todos e usa disso para mentir descaradamente. Seus pensamentos confusos são bem escritos por Laurie e a leitura, por mai que complexa, nos deixa com vontade de ler cada vez mais e mais. O final é surpreendente!

Acredito que esse livro possa salvar vidas. Adolescentes de todos os lugares do mundo (anoréxicas, bulímicas, ou complexadas com seu corpo) deveriam ler e descobrir que a beleza está nos olhos de quem vê e que o amor sempre existe. Independentemente do seu peso sempre existirá alguém que te ama pelo o que você é, não pelo que parece ser.


Uma campanha motivacional muito bonita sobre nossa beleza foi realizada pela Dove no começo de 2013. O vídeo teve grande divulgação pela internet, mas pra quem ainda não assistiu, vale muito a pena: