Um pouco sobre o que nós fomos


É fácil falar “siga em frente” quando não é você que ainda sente o cheiro dela no travesseiro, quando não é você que guarda cada uma das boas lembranças com medo de que novas experiências possam apagá-las da sua memória. Quando você se foi, fiquei sem chão. Como naqueles enredos de filme, perdi o rumo e jurei ter encontrado a alegria no álcool e nas noites viradas com qualquer outra ao meu lado na cama. Só agora consigo perceber o quão idiota eu fui: não adiantava tentar preencher a lacuna que você me deixou com pessoas vazias. Era você, sabe,  morena, você que enchia meu peito de paz e meus olhos com um brilho especial. Você que começava num sorriso, evoluía pruma risada e em segundos, enchia a casa com tua gargalhada. Ah, como eu amava o som do teu riso. Como eu amava teus dentes, teus lábios, teus beijos. Teu coração. Você, que se entregou a mim sem pedir mais nada em troca, me mostrou que a vida, se vivida com alguém ao lado, valia tão mais a pena. 

E eu me apaixonei, sabe? Justo eu, que gostava de manter a pose de cara-durão-que-nunca-se-apaixona. Você me mudou. Não sei se foi seu jeito meio tímido na hora de conversar, sua mania de enrolar as pontinhas do cabelo enquanto pensava numa resposta pra dar ou a maneira como nosso beijo encaixava. Tenho lá minhas dúvidas que foi um pouquinho de cada coisa que misturadas criaram esse meu amor por você.

E eu fiz jus ao sentimento; e te amei como nunca tinha amado ninguém. Mas uma hora a gente percebeu que tinha planos diferentes. Mesmo que eu te quisesse a vida toda ao meu lado, você estava destinada a voar. A alçar voos maiores e cada vez mais distantes. Nosso caminho que um dia se cruzou pelo acaso do destino, uma hora deu “até logo” e deixou um sorriso nos lábios - com aquele gostinho de saudade. Você, morena, foi a coisa mais linda que aconteceu na minha vida.

Nos despedimos sem mágoas ou ressentimentos maiores, sem discussões ou brigas banais. Desvencilhamo-nos porque assim deveria ser feito, mas certos de que esse amor só veio pra acrescentar. E eu espero que a gente só conheça gente assim, que some. Porque amar é entregar uma partezinha de si e e receber uma partezinha do outro. Amar é se sentir ainda mais completo depois que alguém passa por nossa vida.

Sem expectativas, cobranças e coisas banais


Mas eu gosto dele porque ele não gosta tanto de mim.

Ok, eu sei que isso pode parecer loucura, coisa de gente doida que não se coloca em primeiro lugar e aceita se submeter a relacionamentos abusivos sem receber aquilo que se doa. Sei que a gente tem que se colocar sempre em primeiro lugar, já li vários posts sobre isso no Facebook e discuto constantemente a questão com minhas amigas mais próximas. Viver ao lado de quem não te quer bem é ridículo. E eu concordo. Mas, sabe, foi isso que eu vi nele...

Nas nossas noites de sexo sem compromisso, de falar bobagens após uma ou duas garrafas de vinhos. Nas conversas à toa sobre qual série ele tá acompanhando, ou sobre mais um dos meus desastres na cozinha. Vi algo diferente no modo como nossas risadas se encaixavam. No modo como a gente era, e somos, tão leves. Nosso relacionamento nunca passou de uma noite, o máximo foi naquele meu aniversário, que eu não queria ficar sozinha e pedi para que ele ficasse um pouco mais. Gosto de saber que posso passar o tempo e roubar alguns beijos de alguém que não espera nada além disso. Nosso relacionamento é isento de expectativas, de cobranças, de coisas banais. A gente tá junto quando quer e porque quer. Sem obrigação.

É claro que eu já questionei (demais) tudo isso. Para mim, há pouco tempo, era impensável levar algo assim. Ou tá junto ou não tá. Mas, sei lá, parece que conforme a gente cresce a vida se torna tão mais questão de viver bons momentos do que de um status de relacionamento sério. Aliás, de sério eu não quero nada. Quero nossas risadas, nossos abraços, quero nós. Leves, tranquilos, serenos. Talvez por mais um ano, talvez por mais um dia. É a vida que vai mostrar como vai ser. No mais, só deixo registrado aqui o quão delicioso foi conhecê-lo. Ele, que me mostrou um pouquinho mais da vida, que me mostrou que o amor pode ser superior a tudo aquilo que a gente supõe. Ele, que não gosta tanto de mim, mas vez ou outra manda um "tô com saudade, vê se aparece aqui" e, vez ou outra, recebe um "também tô, me espera no portão que seu interfone nunca funciona comigo".

Sobre encontrar o amor verdadeiro (ou o melhor deles)


Já tive amores platônicos, amores-minuto e amores de uma só noite. Amores que você conhece numa festa e depois de um-ou-dois-ou-três copos de qualquer coisa que dê um barato, declara a vida e o coração ao mesmo tempo em que dá o segundo beijo. Mas para não me colocar em maus lençóis, me redimo: já tive amores de uma tarde, daqueles que te faz sentir um negócinho estranho do peito, e que você se apaixona na primeira frase. Na primeira troca de olhares; intensa. Já tive paixões que chamei de amores, já amei e sofri, e insisto em dizer que só foi paixão.

"Já amei, amei. Também já desanimei" diz a letra de Disco Novo, do Silva - aliás, um cantor que eu recomendo muito. Mas parece que é assim mesmo: de tanto lutar contra a maré, de tanto correr atrás, uma hora a gente perde o folêgo. Foi num desses momentos da vida, em que eu desisti de encontrar o amor verdadeiro, e só procurava beijos e noites viradas no abraço de alguém, que te conheci. É engraçado como as melhores coisas aparecem quando a gente tá quietinho, na nossa; ouso até dizer que de olhos fechados.

Você chegou transbordando o que havia de mais bonito em mim. Arranjei um espacinho no meu coração e te deixei recostar as malas. A cada beijo um pontinho de luz surgia no meu mundo. Me senti tão segura nos teus braços que se fosse possível eu nunca mais sairia dali. Você foi o primeiro que tirou o amor do universo imaginário e trouxe para a vida, mostrando o quão real somos nós. 

E eu, que já tive mil-amores, encontrei em você alguém para chamar de meu amor e, porque não, dizer "eu te amo".

Porque sorriso é poesia da alma


Tão gostoso quando a gente beija alguém que gosta e, durante o beijo, damos e sentimos sorrisos. Sorriso, pra mim, é a poesia mais singela que podemos fazer. Sorrir é poetar com a alma. Um gesto tão simples e quase sempre involuntário, mas que demonstra um mar de sentimentos. Quer outro exemplo? Já ouviu uma música gostosa, aquelas meio no estilo de mpb, e sentiu que o cantor, com certa estrofe, sorria? Não tem nada mais apaixonante que isso! Quando estou caminhando, às vezes sem a menor vontade de viver, e escuto uma música dessas, é como se alguém lá em cima estivesse me mandando um recadinho pelos fones de ovido: "deixa de ser boba e bota um sorriso nessa tua cara também! A vida passa rápido e você tem que se divertir, menina."

Ah, existem tantos sorrisos e risos diferente. Existem aqueles que te tiram o ar alguns instantes, aqueles que fazem o coração palpitar, aqueles que a gente tem vontade de embrulhar num cantinho do coração e nunca mais deixar ir embora. Tem daqueles que nos deixam com vontade de sorrir junto, aqueles que colorem nosso mundo. Aqueles que não conseguem se conter num riso tímido e apelam pra melhor gargalhada de todas. Tem gente que a gente lembra pelo sorriso.

E tem você, que soube fazer cada um desses tipos e entre um beijo e outro, com sorrisos roubados durante o caminho, disse que ficaria um pouco mais. Você nem imagina o quanto me faz sorrir!

Eu insisti


Olho para a página vazia querendo que você estivesse aqui, roubando meu tempo para que eu não pudesse preenchê-la de palavras tolas. Mas é que você me deixou assim, completamente idiota. Você sorriu e encheu meu mundo de cor, e agora eu temo em imaginá-lo preto e branco outra vez. E você me dá tanta saudade.

Sinto saudades do cheiro, daquela loção pós-barba que ficava em mim depois que a gente se beijava, saudades dos teus beijos que sabiam a hora certa de confortar ou ir além, saudades das tuas mãos tocando meu corpo e me levando ao delírio. Saudades da gente juntinho, sendo um só. Das piadas idiotas que eu morria de rir, das barrigas fazendo barulho de manhã porque não comemos mais que um saco de pipoca estourado no microondas - graças a essa minha incrível desabilidade na cozinha. 

Mas eu insisti no brigadeiro. 
E insisti pra você ficar. 

Você me virou as costas e sem nem um beijo de despedida, se foi sem explicações. Falou pra eu ficar bem e me deixou ouvindo para sempre o barulho daquele portão vermelho se fechando. Vivi com você uma das mais intensas paixões, sofri, por você, um dos mais intensos adeus. 

Ainda me lembro de quando você disse “a gente vai ser pra sempre, pequena”. 
Não fomos para sempre. 
Não fomos nem por um ano. 
Nem fomos nós.